sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Tempo de (re)começar!

'Chorei porque daqui em diante chorarei menos. Chorei porque perdi minha dor e ainda não estou acostumada à ausência dela.'

Anaïs Nin: Henry e June - Diários não-expurgados (1931-32)

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Carta ao Guilherme

   Quando te conheci, você ainda era o neonato da incubadora 88, só mais um bebê sem nome. E eu já te amava. 
   Todas as manhãs, a visita ao teu berçário era uma das poucas certezas da minha semana. Não sabia teu nome ou o da tua mãe. Não sabia que você é meu primo, mas eu já te amava. Naquele tempo, eu ainda não sabia que você era filho de uma das fadas que encantou minha infância, mas já era amor. 
   Gui, de acordo com o prontuário médico, você nasceu mais pequenininho que o esperado, mas não se preocupa não... Em breve você será tão alto quanto sua mãe, e você já reparou como ela é uma mulher grande, em todos os sentidos?! 
   Ainda criança, haviam dias especiais em que minha mãe me levava para visitar pessoas mágicas, em uma casa cheia de surpresinhas. Lá moravam a vovó e nossos tios: dois gnomos que sempre tinham beijos apertados e abraços molhados, pra compartilhar. Esses beijos e abraços agora serão teus, garotão. Mas entre gnomos, fadas e princesas, havia uma pessoa em especial... Havia uma mulher diferente de todas as outras. Além de ser mágica e dona dos olhos de jabuticaba mais lindos que já vi, ela brilhava. Essa mulher mágica, que me fez acreditar que pessoas são eternas, é a sua mãe, Gui. Gente assim, que é puro amor, bondade e esperancice, é raro de se encontrar... Mas você é um garotinho de muita sorte. Você ainda vai ter muito orgulho da sua mãe, assim como eu tenho da minha, que também era mágica. 
  Sabe Gui, algumas pessoas vão dizer coisas feias sobre sua mãe, assim como disseram da minha, e é por isso que escrevo. Escrevo para que você não acredite no que essa gente de má fé possa te dizer. Escrevo para que o teu amor não seja posto a prova, independente do que esses passarinhos cinzas te digam. Escrevo pra que você saiba que pensamentos bonitos podem sim, salvar quem a gente ama, da dor. Escrevo porque o mundo é lindo e triste, ao mesmo-tempo-agora, e não vale a pena escutar bobagens sobre a única pessoa que mesmo distante, ainda vai te amar do jeitinho que você é, sem pedir nada em troca. 
  Escrevo pra te contar um segredo: Nesse mundão de céu e mar, você vai descobrir o que boa parte das pessoas nunca descobre, mas que minha mãe me ensinou desde cedo: A nossa vida pode ser de qualquer cor. Tipo arco-íris, mesmo. Porque é chato ser uma daquelas pessoas que se contenta com o preto-e-branco. E você, que tem signo de poeta, é predisposto a ter algo que é exclusivo daquelas pessoas que gostam de ver o mundo em todas as suas cores, e mais algumas. Pessoas que por terem esse astral bonito, acabam irradiando energia das boas. E nos dias de chuva, quando a cor estiver desaparecendo, você pode contar comigo pra te ensinar a brincadeira de adivinhar sorrisos, costurar estrelas no teto do quarto, e domesticar ausências, porque a vida é uma roda-gigante todinha mágica, do começo ao fim. 
   Eu me comprometo a compartilhar contigo meus melhores amigos: livros e filmes, cuja teoria desconheço, e ouso apenas sentir. Você vai descobrir que eles são mágicos, e os personagens maravilhosos... Mas se olhar no fundo, lá onde se escondem as verdades do universo, vai ver que pessoas podem ser tão maravilhosas quanto personagens, e vai aprender a amá-las. 
   Gui, algumas vezes na vida, me peguei arrogante-e-tola, dizendo que nunca precisei de ninguém, e hoje vejo que eu tinha razão... Nunca precisei, mesmo. A gente não precisa de ninguém, porque o verbo da vida não é esse. O verbo é outro... O verbo, garotinho, é amar. Saber dar e, principalmente, receber o amor - que é das aprendizagens, a mais difícil. E quando você estiver triste - precisando desse tal amor-, e não souber como aceitá-lo, fecha os olhos bem apertadinhos e se abraça... O silêncio vai fazer o mundo se reconstituir ao teu redor. E se tudo mais falhar, me procura. Podemos acender uma vela branca para meu anjo-mágico - que também pode ser o teu -, e nos dias sem sol, colhermos mudinhas de fé.

 Com amor e balinhas coloridas, Dani. (Aquela moça de olhos engraçados, que durante sua estadia no hospital, cantava timidamente pra te ver dormir. )

sábado, 18 de maio de 2013

Apaixonada e psicótica...YEAH!

“Me sentia bem em não participar dessas coisas. Me alegrava não estar apaixonado e não estar de bem com o mundo. Gostava de me sentir estranho a tudo. As pessoas apaixonadas, em geral, se tornam impacientes, perigosas. Perdem o senso de perspectiva. Perdem o senso de humor. Ficam nervosas, tornam-se chatas, psicóticas. Podem virar assassinas.”
Bukowski in Mulheres

quarta-feira, 15 de maio de 2013

O que é "ser", Jozú?

"O que é uma farda? O que é uma bota? E veio a resposta: nu o homem é mais pátria do que amedalhado numa farda, nu ele é mais força, muito mais do que parece existir no fulgor de uma bota"
 Trecho de Jozú, O Encantador de Ratos - Hilda Hilst

domingo, 28 de abril de 2013

Vivo, logo sonho.

 
 “As palavras que movem e que constituem perigo são as palavras que não podem ser ditas em nenhuma língua: as palavras dos sonhos. [...] Quando não se fecha uma estória, a multidão fica contaminada pela doença de sonhar.”       
 Mia Couto -  Antes de nascer o mundo

domingo, 24 de março de 2013

Bem assim.

 "Um punhado de personagens literários marcou minha vida de maneira mais durável que boa parte dos seres de carne e osso que conheci. (...) o personagem literário pode ser ressuscitado indefinitivamente, com o mínimo esforço de abrir as páginas do livro e deter-se nas linhas adequadas."

                   (Mario Vargas Lhosa in: A orgia perpétua - Flaubert e "Madame Bovary". Ed. Francisco Alves, p. 13)

domingo, 17 de março de 2013

Do amar

"Não se consegue amar completamente senão na memória, Sebastião. As histórias que sonhamos para as pessoas amadas flutuam na neblina dos dias muito quentes, como mentiras leves tocadas pelo peso da verdade."

                (Inês Pedrosa in: A eternidade e o desejo. Ed. Alfaguara, p. 53)