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domingo, 12 de julho de 2015

Há uma esperança lá onde a saudade começa...


Ma,

Hoje, depois de tantos desencontros, estou pronta pra seguir. Nestes últimos anos, senti falta do que nunca existiu. Ou melhor, existiu sim, em um espaço paralelo entre o meu abraço e o teu.
Dos teus ensinamentos, sigo o imperativo: se é pra caminhar, que seja fazendo aquilo que se deseja, amarrando tudo em sonhos de alma bonita – pra não faltar amor. E veja só, hoje tem gente me mostrando que não estou sozinha... Gente que mais parece saída de um musical. Gente de olhos cheios e sorrisos largos, me acompanhando pela estrada de tijolos amarelos. Gente que sem saber, diz no olhar que a vida é assim mesmo: desarruma hoje, pra arrumar amanhã, e voltar a bagunçar no-estante-agora-sempre-e-mais.  
Calma, mãe... Não vai embora ainda. Deixa te contar que feito navegante que passou a estação em alto mar, finalmente voltei à terra firme. Não me adaptei... Ainda estou desfazendo a bagagem, contemplando no espelho as marcas que o tempo deixou no meu corpo. Estou me esculpindo, reconhecendo no barro uma mulher fragmentada e dotada dos mais gentis anseios. Estou me descobrindo para além de você.
A saudade ainda dói. Dói bonito, apertadinho. Dói com gosto de sorriso. É dor do que foi bom, concluo. E agora vejo que a nossa distância se tornou tão curta, porque finalmente compreendo que você foi sábia o suficiente para amar sem pesar na presença... Coisa de gente marota, que sorri de lado, feito quem muito aprendeu e sabe que vida da gente tem que ser vivida com as melhores cores e figuras, de um jeitinho só nosso.
Pois veja, eu que sempre amei suas chegadas, os seus retornos, faz tempo que desejava te ver entrar pelo velho portão sem cadeado, caminhando como quem não sabe ao certo aonde quer chegar, e junto contigo, sentar no passeio rachado pelas ervas daninhas, contando todas as belezas do meu dia. As minhas brigas com Deus, a minha falta de atenção, as meninas, os livros, as aulas, o trabalho... As coisas que acontecem enquanto não acontece nada. Vem mãe, fica pra sempre aqui do lado de dentro, para vermos juntas a banda passar - falando coisas...


segunda-feira, 28 de abril de 2014

Carta ao Guilherme

   Quando te conheci, você ainda era o neonato da incubadora 88, só mais um bebê sem nome. E eu já te amava. 
   Todas as manhãs, a visita ao teu berçário era uma das poucas certezas da minha semana. Não sabia teu nome ou o da tua mãe. Não sabia que você é meu primo, mas eu já te amava. Naquele tempo, eu ainda não sabia que você era filho de uma das fadas que encantou minha infância, mas já era amor. 
   Gui, de acordo com o prontuário médico, você nasceu mais pequenininho que o esperado, mas não se preocupa não... Em breve você será tão alto quanto sua mãe, e você já reparou como ela é uma mulher grande, em todos os sentidos?! 
   Ainda criança, haviam dias especiais em que minha mãe me levava para visitar pessoas mágicas, em uma casa cheia de surpresinhas. Lá moravam a vovó e nossos tios: dois gnomos que sempre tinham beijos apertados e abraços molhados, pra compartilhar. Esses beijos e abraços agora serão teus, garotão. Mas entre gnomos, fadas e princesas, havia uma pessoa em especial... Havia uma mulher diferente de todas as outras. Além de ser mágica e dona dos olhos de jabuticaba mais lindos que já vi, ela brilhava. Essa mulher mágica, que me fez acreditar que pessoas são eternas, é a sua mãe, Gui. Gente assim, que é puro amor, bondade e esperancice, é raro de se encontrar... Mas você é um garotinho de muita sorte. Você ainda vai ter muito orgulho da sua mãe, assim como eu tenho da minha, que também era mágica. 
  Sabe Gui, algumas pessoas vão dizer coisas feias sobre sua mãe, assim como disseram da minha, e é por isso que escrevo. Escrevo para que você não acredite no que essa gente de má fé possa te dizer. Escrevo para que o teu amor não seja posto a prova, independente do que esses passarinhos cinzas te digam. Escrevo pra que você saiba que pensamentos bonitos podem sim, salvar quem a gente ama, da dor. Escrevo porque o mundo é lindo e triste, ao mesmo-tempo-agora, e não vale a pena escutar bobagens sobre a única pessoa que mesmo distante, ainda vai te amar do jeitinho que você é, sem pedir nada em troca. 
  Escrevo pra te contar um segredo: Nesse mundão de céu e mar, você vai descobrir o que boa parte das pessoas nunca descobre, mas que minha mãe me ensinou desde cedo: A nossa vida pode ser de qualquer cor. Tipo arco-íris, mesmo. Porque é chato ser uma daquelas pessoas que se contenta com o preto-e-branco. E você, que tem signo de poeta, é predisposto a ter algo que é exclusivo daquelas pessoas que gostam de ver o mundo em todas as suas cores, e mais algumas. Pessoas que por terem esse astral bonito, acabam irradiando energia das boas. E nos dias de chuva, quando a cor estiver desaparecendo, você pode contar comigo pra te ensinar a brincadeira de adivinhar sorrisos, costurar estrelas no teto do quarto, e domesticar ausências, porque a vida é uma roda-gigante todinha mágica, do começo ao fim. 
   Eu me comprometo a compartilhar contigo meus melhores amigos: livros e filmes, cuja teoria desconheço, e ouso apenas sentir. Você vai descobrir que eles são mágicos, e os personagens maravilhosos... Mas se olhar no fundo, lá onde se escondem as verdades do universo, vai ver que pessoas podem ser tão maravilhosas quanto personagens, e vai aprender a amá-las. 
   Gui, algumas vezes na vida, me peguei arrogante-e-tola, dizendo que nunca precisei de ninguém, e hoje vejo que eu tinha razão... Nunca precisei, mesmo. A gente não precisa de ninguém, porque o verbo da vida não é esse. O verbo é outro... O verbo, garotinho, é amar. Saber dar e, principalmente, receber o amor - que é das aprendizagens, a mais difícil. E quando você estiver triste - precisando desse tal amor-, e não souber como aceitá-lo, fecha os olhos bem apertadinhos e se abraça... O silêncio vai fazer o mundo se reconstituir ao teu redor. E se tudo mais falhar, me procura. Podemos acender uma vela branca para meu anjo-mágico - que também pode ser o teu -, e nos dias sem sol, colhermos mudinhas de fé.

 Com amor e balinhas coloridas, Dani. (Aquela moça de olhos engraçados, que durante sua estadia no hospital, cantava timidamente pra te ver dormir. )

domingo, 29 de julho de 2012

Ah minha mãe, perdoe a cara amarrada, perdoe a falta de abraço.

 
O que fazer quando você não é aquele que parte, mas o que permanece?

Não canso de me perguntar isso... 2 anos, 8 meses e 4 dias é tempo suficiente para que a dor cesse? Bem, houve um tempo em que eu rezei a todos os deuses, de céu e mar, para que fosse, mas não é.

Ouço aquela tola canção, que entre suaves acordes diz que ‘a tua ausência me causou o caos’, e isso me faz sorrir. Faz sentir que alguém no mundo pode compreender o que me aconteceu sem você... Em vida você me desestruturava, me deixava em um eterno misto de amor&ódio, e agora, que já não pode mais me desequilibrar com sua presença, você me transformou em um caos, uma caricatura de mim mesma.
Sinto falta do que eu era antes de você partir. Sinto falta da minha fé inabalável, da minha esperança inquebrantável, do meu gosto refinado, do meu humor sadio, dos meus contos de fada, da minha vida menos amarga.

Eu só queria poder ligar para aquele número, o teu número de celular que nunca apaguei da minha agenda, e dizer como a tua ausência vem me destruindo dia após dia. Para os outros você é uma lembrança, um sopro de vida que passou, mas para mim é uma ferida aberta, que insiste em não cicatrizar.

Vem, quero tua dança, tua risada rouca, teu cheiro de cigarro e whisky em um fim de tarde qualquer. Quero teu ser vivo, em conjunto com o meu.

domingo, 18 de setembro de 2011

Sei lá, a tua ausência me causou o caos...

Deixa eu te contar, mãe: Não é divertido, fazer escolhas.  Uma hora fazemos planos, sobre crescer e nos tornarmos super-heróis, astronautas, piratas, ou até mesmo catador de conchinhas numa praia qualquer. De repente não temos mais com quem rir dos planos tolos que bolamos para um futuro que aparenta estar tão distante, ou das peças que a vida nos pregou.  
Houve um tempo em que eu sabia os motivos pelos quais deveria ser a melhor em tudo o que fazia, mas e agora? Eu não mais preciso ser a melhor ou estar entre os melhores, posto que já não há necessidade de provar nada a você. Não preciso mais te dar motivo para me amar, então me diz o que fazer, porque eu realmente não sei.

Vem cá, mãe... Quem te disse que eu quero ser adulta? Quem te disse que eu quero ser professora de literatura? Quem te iludiu dizendo que pretendo ter responsabilidades?
Eu não quero. Eu tenho medo de escolher errado, de dar um passo em falso, de demonstrar fraqueza, de não conseguir fazer as coisas certas, de não passar em um segundo vestibular... Tenho medo da saudade que sinto de você, e isso dói tanto, vezemquando.

sábado, 9 de julho de 2011

Sábado dedicado a Adélia Prado.

Bem, os próximos três dias serão meio-totalmente apertadinhos. A (in)segurança anda me perseguindo, mas ainda acredito que a força de dentro é maior.

O que me fez escolher a Adélia Prado para me acalmar pelos próximos três dias?! É simples. A Adélia Prado me encanta, me faz acreditar nas ‘belezuras’ da vida, na capacidade de continuar acreditando, apesar das nuvens que insistem em apagar meu sol. Graças a ELA, as palavras continuam sendo perfumadas, e a cor das músicas torna-se cada vez mais intensa.

Segundo Carlos Drummond de Andrade, "Adélia é lírica, bíblica, existencial, faz poesia como faz bom tempo: esta é a lei, não dos homens, mas de Deus. Adélia é fogo, fogo de Deus em Divinópolis". 

Preciso dizer mais alguma coisa?!

domingo, 19 de junho de 2011

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Daria tudo, só pra te ver sorrir mais uma vez....

She taught me how to smile when things get rough
(...) I hear people saying
 I'm starting to look
Like my mother does... 


Se antes eu queria provar a mim mesma que era exatamente diferente de você, hoje eu sinto que sou inteiramente parecida. Em cada frase feita, em cada gesto, em cada sorriso exagerado ou na mais completa admiração pelas coisas ditas insignificantes.
Sentir que os meus traços, guardam os teus traços no que há de melhor,

é a '' esperanciçe'' que nos une. 
Tempestades Minhas

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Oh I'm scared of the middle place


Ainda é tempo de morangos?
De certo, o Caio amado na estante dirá que sim. A Sra. Woolf, que acompanha minhas insônias, dirá que não. Não é tempo de morangos nem de alegrias... Melhor mesmo será nos fecharmos em nossa redoma de vidro e não condenar o mundo a essa maciça solidão que insiste em florescer.
Na mente, aquele samba antigo fica martelando, dizendo que é-impossível-ser-feliz-sozinho.Me explica, mestre Jobim, quando será possível? Quando a multidão se fará presença, e o existir deixará de atormentar? 
Talvez o antídoto da minha solidão seja plantar mudas de esperanças e montar muralhas para que as tempestades do tempo não as destruam, já que apenas ter fé não me valeu.
Um dia valerá!
Tempestades minhas

quarta-feira, 4 de maio de 2011

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

I believe in dreams...


Em um mundo sem sonhos
As coisas não são mais do que elas parecem
Um mundo sem heróis
É como um pássaro sem asas
Ou como um sino que nunca toca
Apenas uma coisa triste e inútil

Cher - A world without Heroes

Sonhos: defenda os seus. Às cegas, às tontas, eu vou defendendo os meus.
  

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Era tão tentador confessar-me vencida...

"Sozinha , encharcada e trêmula, contemplei aquele mundo que já não me era acessível. Era tão tentador confessar-me vencida e voltar ao seco e ao calor! Contemplei aquele espaço iluminado, pensando que não podia me afligir com minha sorte, e repeti pra mim mesma: " Tenho de ir embora, tenho de ir embora, tenho de ir embora!"
(Ingrid Betancourt - Não há silêncio que não termine, pag.20)

Não fui embora...Não vou. Apesar de tentador, desistir não será a melhor escolha. Agora é pegar essa ''derrota'' e transformar em uma meta. Pintar a realidade com as cores da realidade, e não com as minhas  cores favoritas, inventando num mundo idealizado e vivido pra dentro. Mas como cantou a Barbra Streisand, eu digo a dona UEFS: '"Don't rain on my parade''
                                                                                                                                     É UM AVISO! 

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Ela desatinou, viu morrer alegrias, rasgar fantasias(...) e ela inda está sambando♫♪


"Quem não inveja a infeliz, feliz
No seu mundo de cetim, assim,
Debochando da dor, do pecado
Do tempo perdido, do jogo acabado
".

Ela desatinou - Chico Buarque

 

Veja só, desde terça fico como o meu Caio amado, olhando a medida do Bonfim no pulso esquerdo, lado do coração e pensando, pois é, vejam só, não me valeu.Nem sempre vale.  Mas como diria a Cher, You haven't seen the last of me.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Ahhh, são coisas da vida...

Quando a lua apareceu
Ninguém sonhava mais do que eu
Já era tarde
Mas a noite é uma criança distraída
Depois que eu envelhecer
Ninguém precisa mais me dizer
Como é estranho ser humano... 

Coisas da Vida - Rita Lee


P.s: Passarei alguns dias em off...Retorno na Terça-Feira.
Vida corrida, mas se cheguei com fé até aqui, não hei de falhar.